Período: 07.03.2026 – 02.08.2026
São Paulo, 3 de março – A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, apresenta Knockout!, primeira exposição institucional do camaronês Pascale Marthine Tayou no Brasil. A partir de 7 de março, abrindo a programação expositiva do museu, o artista ocupa as sete galerias do edifício Pina Luz com obras que reorganizam materiais e ativam trocas, refletindo sobre a existência dos objetos cotidianos e convidando o público a olhar para a vida coletiva em diálogo com importantes conferências internacionais. A curadoria é de Ana Paula Lopes e Jochen Volz.
A panorâmica apresenta ao público brasileiro os mais de 25 anos de produção de Tayou, trazendo obras fundamentais como Collones Pascale (2010-2026), L’enfer du décor (2023-2026), além de trabalhos inéditos, como Paradi(se) (2026) e Court-circuit (2026).
Nascido em Nkongsamba, Camarões, Pascale Marthine Tayou construiu uma prática artística marcada pela reorganização de materiais e pela transformação poética de elementos do cotidiano, como cadeiras de plástico, bandeiras, fios elétricos, lápis e utensílios domésticos. Sua trajetória é consolidada por participações em algumas das mais relevantes exposições internacionais de arte contemporânea, incluindo a Bienal de São Paulo, Bienal de Veneza, a Documenta e a Serpentine Gallery, em Londres.
“Suas instalações, esculturas e pinturas são cheias de vitalidade”, diz Jochen Volz, diretor geral da Pinacoteca e curador da mostra. “Um dos nomes mais proeminentes na cena artística global ao longo de três décadas, Pascale Marthine Tayou afirma a capacidade da arte de interromper, reverberar e reconfigurar a maneira como nos posicionamos no mundo e como convivemos com nossas diferenças”, conclui.
Sobre a exposição
O título Knockout! sugere confronto, mas também humor e excesso, elementos que atravessam toda a narrativa da exposição, estruturada a partir de sete conferências internacionais: Berlim, Yalta, São Francisco, Roma, Rio de Janeiro, Bandung e Avignon. Desde o final do século XIX, esses encontros reuniram nações para decisões de impacto global, frequentemente guiadas por interesses estratégicos que resultaram em conflitos, dominação e desigualdades históricas.
Na exposição, Tayou entrelaça esses episódios com experiências estéticas, explorando cores, texturas, materiais e tensões, onde o poético e o político se encontram em atrito constante.
Na primeira sala, dedicada à Conferência de Berlim (1884–1885), que legitimou a partilha colonial da África, uma escultura em forma de lápis com quatro metros de altura ocupa o centro do espaço. O objeto articula, de um lado, a energia criativa do desenho e, de outro, seu potencial bélico inscrito na própria forma, revelando como todo gesto de criação convive com a tensão entre invenção e confronto.
A segunda galeria aborda a Conferência de Yalta (1945), que reorganizou o mundo após a Segunda Guerra Mundial. Nela está L’enfer du décor (2023-2025), composta por quatro grandes colagens sobre tela que reúnem 89 bandeiras nacionais, sugerindo a interdependência entre Estados-nação e refletindo sobre a nacionalidade como condição instável e transitória.
Na terceira sala, associada à Conferência de São Francisco (1945), que resultou na criação da ONU, Tayou apresenta Court-circuit (2026). A instalação articula diferentes materiais em uma estrutura que remete à fiação aérea urbana, com seus improvisos, conexões e fragilidades, evocando os desafios da convivência coletiva.
Na sala seguinte está Collones Pascale (2010-2026), um trabalho site specific desenvolvido por Tayou em diferentes contextos desde 2010. O uso da repetição e acumulação, central no trabalho do artista, aparece aqui por meio do empilhamento reiterado de vasos. Em Knockout!, a obra alude à Conferência de Roma, promovida pela ONU em 1974 para discutir a insegurança alimentar. Fazendo uso de potes locais, o artista trabalha com o quartilhão e o marajoara – usado em religiões de matrizes africanas, construindo uma escultura que vai do chão ao teto e que remete a um problema estrutural sem resolução.
Na sequência, uma grande instalação de galhos secos e sacolas plásticas coloridas denuncia a poluição ambiental causada pelo excesso de plástico. Plastic Tree (2014-2015) dialoga com a Rio-92, conferência voltada às questões climáticas e ecológicas.
Na sexta galeria, uma casa suspensa de cabeça para baixo desafia noções de estabilidade e os sistemas impostos historicamente. Falling House (2014) se relaciona à Conferência de Bandung (1955), que reuniu países africanos e asiáticos em busca de uma posição política coletiva contra a dominação colonial.
A exposição se encerra com a Conferência de Avignon, um evento criado pelo próprio artista como exercício de crítica e fabulação política. Nesta sala estão algumas de suas obras mais icônicas, como Colorful Stones (2015–2026) e Pascale’s Eggs (2019), que refletem sobre a potência transformadora da arte e a política como prática cotidiana.
A exposição tem apoio da Galleria Continua e A Gentil Carioca.
SOBRE A PINACOTECA DE SÃO PAULO
A Pinacoteca de São Paulo é um museu de artes visuais com ênfase na produção brasileira do século XIX até́ a contemporaneidade e em diálogo com as culturas do mundo. Museu de arte mais antigo da cidade, fundado em 1905 pelo Governo do Estado de São Paulo, vem realizando mostras de sua renomada coleção de arte brasileira e exposições temporárias de artistas nacionais e internacionais em seus três edifícios, a Pina Luz, a Pina Estação e a Pina Contemporânea. A Pinacoteca também elabora e apresenta projetos públicos multidisciplinares, além de abrigar um programa educativo abrangente e inclusivo. B3, a bolsa do Brasil, é Mantenedora da Pinacoteca de São Paulo.



