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MuBE celebra 30 anos com exposição inédita dedicada a Paulo Mendes da Rocha“A Terceira Margem da Cidade: Paulo Mendes da Rocha e os Desafios da Vida no Planeta” revisita as ideias do arquiteto sob o prisma das urgências ambientais contemporâneas

O Museu Brasileiro da Escultura (MuBE) homenageia Paulo Mendes da Rocha em exposição.
Foto: Divulgação MuBE, 2026.

São Paulo, março de 2025 – Em celebração aos 30 anos de fundação do museu, está em cartaz no MuBE, Museu Brasileiro da Escultura e da Ecologia, a exposição “A Terceira Margem da Cidade: Paulo Mendes da Rocha e os Desafios da Vida no Planeta. A mostra homenageia um dos maiores nomes da arquitetura brasileira e mundial, trazendo à tona o pensamento e o legado do arquiteto sob a perspectiva dos desafios ambientais e urbanos do presente.

Com curadoria de Guilherme Wisnik, a exposição reúne projetos, maquetes, desenhos, registros e instalações de diversos artistas e arquitetos, que refletem as ideias visionárias de Mendes da Rocha sobre urbanização sustentável, infraestrutura hídrica, reciclagem arquitetônica, especulação imobiliária e as escalas das metrópoles. O projeto também dialoga diretamente com a própria história e vocação institucional do museu.

Com seu icônico edifício-sede projetado pelo próprio arquiteto e inaugurado em 1995, o MuBE nasceu de uma mobilização da sociedade civil que impediu a construção de um shopping center no terreno da Avenida Europa, em São Paulo, transformando-o em um espaço de reflexão sobre arte, ecologia e cidade. Três décadas depois, o museu reafirma esse compromisso, num momento em que o mundo volta sua atenção à agenda climática, após a realização da COP30 em Belém do Pará.

Entre os destaques da mostra, está a obra “Terra” de Carmela Gross. Originalmente criada em 2017 para ocupar permanentemente o topo da marquise do MuBE, durante a exposição “A terceira margem da cidade: Paulo Mendes da Rocha e os desafios da vida no planeta” ela ficará instalada no piso da área externa do MuBE e não mais distante e inalcançável. Uma forma poética a nos lembrar de que as mudanças necessárias para o enfrentamento das mudanças climáticas e a preservação do planeta estão em nossas mãos. A exposição também aborda suas ideias sobre o transporte fluvial, concebido como alternativa ao modelo carbocêntrico do automóvel individual, e sua crença de que “a política está na geografia e no urbanismo”.

“Não nascemos para morrer, e sim para começar”, dizia o arquiteto. Essa frase da filósofa Hannah Arendt, que Paulo Mendes da Rocha tanto gostava, sintetiza o espírito de A Terceira Margem da Cidade: revisitar o pensamento do arquiteto como um convite à ação. É a viagem urbana à imaginação de novos futuros possíveis.

Recentemente, o MuBE firmou uma parceria com o Instituto Motiva por meio de um patrocínio via Lei Federal de Incentivo à Cultura. O investimento apoia a manutenção do museu e promove ações educativas gratuitas, como ateliês, cursos e visitas guiadas focadas em arte, sustentabilidade e desenvolvimento urbano. O projeto também viabiliza a exposição “A terceira margem da cidade”, como iniciativa que alinha os focos estratégicos do MuBE e da Motiva no desenvolvimento sustentável, contribuindo para a construção de cidades mais inclusivas, resilientes e preparadas para as mudanças do clima.

O arquiteto Paulo Mendes da Rocha em vídeo na exposição. Foto: Divulgação MuBE, 2026.