Projeto sediado na Biblioteca Nacional de Brasília une literatura, tradução e extensão universitária, com certificação pela UnB
A Biblioteca Nacional de Brasília recebe a cerimônia de abertura do ciclo 2026 do Entrelaçando Letras e Culturas, projeto que, desde 2024, desenvolve uma curadoria literária dedicada às Américas, promovendo o diálogo entre literatura, universidades, representações diplomáticas e leitores. A edição deste ano tem como tema Vozes Femininas da América e reúne exclusivamente autoras mulheres, atravessando séculos de escrita feminina no continente.
O projeto é realizado em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), por meio da política de extensão universitária, e certifica os participantes como extensionistas, inclusive aqueles que não são alunos da UnB, ampliando o acesso à formação cultural e acadêmica para além dos muros da universidade.
Vozes femininas das Américas, do século XIX ao XXI
Ao dedicar toda a sua curadoria de 2026 às mulheres escritoras das Américas, o projeto propõe um gesto simbólico e político: reunir vozes femininas que atravessam séculos, do século XIX ao século XXI. São obras que ressaltam a identidade, a força, a vivência e a voz da mulher americana, em contextos históricos, sociais e culturais diversos.
A presença de autoras do século XIX, agora traduzidas e lidas no século XXI, reforça a ideia de continuidade histórica dessas vozes e evidencia o papel do projeto na recuperação, circulação e atualização da escrita feminina no continente.
Uma curadoria das Américas, construída desde 2024
Desde 2024, o Entrelaçando Letras e Culturas assumiu como eixo central a literatura produzida nas Américas, compreendendo o continente como um espaço plural de vozes, histórias e tradições literárias. Naquele ano, o projeto foi marcado pela participação de Laura Esquivel, autora mexicana de Como água para chocolate, cuja presença simbolizou a aproximação entre literatura, memória, identidade e tradição cultural.
A edição de 2024 também apresentou ao público brasileiro autoras fundamentais da América Central e do Caribe, como Carmen Lyra e Claribel Alegría, ampliando o repertório de leituras e reafirmando o compromisso do projeto com a diversidade literária do continente. Outro encontro especial foi o dedicado a Jorge Luís Borges, quando foram servidas empanadas, prato típico da Argentina.
Tradução literária como gesto de mediação cultural
Em 2025, o projeto viveu um de seus momentos mais emblemáticos com a vinda especial da escritora surinamesa Cynthia McLeod ao Brasil, em parceria com a Embaixada do Suriname. Na ocasião, sua obra foi traduzida pela primeira vez para o português, com parceria entre a Editora Pinard, que por uma feliz coincidência conversava com a escritora e historiadora na mesma época, marcando um avanço significativo na difusão da literatura caribenha no país.
Esse compromisso com a tradução literária se aprofunda em 2026, com a tradução inédita e exclusiva de obras de María Josefa Mujía e María Josefa García y Granados, autoras do século XIX, cujos textos chegam ao público brasileiro em língua portuguesa por meio do projeto, criando um diálogo direto entre passado e presente.
Obras do ciclo 2026
O ciclo Vozes Femininas da América será desenvolvido ao longo de todo o ano, com encontros dedicados às seguintes obras:
- Annie John, de Jamaica Kincaid (Antígua e Barbuda)
- Os perigos de fumar na cama, de Mariana Enriquez (Argentina)
- Cartas para minha mãe, de Teresa Cárdenas (Cuba)
- Rostos na multidão, de Valeria Luiselli (México)
- La ciega, de María Josefa Mujía (Bolívia) – tradução inédita
- A redoma de vidro, de Sylvia Plath (Estados Unidos)
- Epístolas, de María Josefa García y Granados (Guatemala) – tradução inédita
- Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo (Brasil)
As inscrições permanecem abertas ao longo do ano, permitindo que novos participantes ingressem no projeto a qualquer momento.
Literatura, universidade e diplomacia cultural
Com encontros que reúnem embaixadas, universidades, instituições culturais e leitores, o Entrelaçando Letras e Culturas reafirma a literatura como ferramenta de diplomacia cultural, formação crítica e integração continental. A parceria com a UnB fortalece o caráter formativo do projeto e amplia seu impacto social, ao reconhecer a leitura e o debate literário como práticas legítimas de extensão universitária.



