Por Daniel Pazinatto, especialista em gestão de empreendimentos e sócio-diretor da Antônio Andrade.
A busca por qualidade de vida, segurança e infraestrutura vem redesenhando o mapa da moradia e dos investimentos no Estado de São Paulo. Famílias e empreendedores estão deixando os grandes centros em direção ao interior, onde é possível encontrar equilíbrio entre conforto, natureza e oportunidades econômicas. Segundo levantamento do Money Times, em 2025 a intenção de compra de imóveis no interior paulista foi 13% maior que a média nacional, evidenciando um movimento que já não pode ser visto como circunstancial. Trata-se de uma reconfiguração estrutural na forma como as pessoas escolhem viver e investir.
Itu desponta como um dos símbolos mais expressivos dessa transformação. Localizada entre São Paulo, Campinas e Sorocaba, a cidade reúne atributos que a posicionam de forma estratégica nesse novo cenário. Sua malha viária robusta, os investimentos em mobilidade e a presença de empreendimentos planejados criam um ambiente urbano que concilia qualidade de vida e dinamismo econômico. Em um contexto de saturação das metrópoles, Itu representa o equilíbrio possível entre a tranquilidade do interior e o acesso rápido aos principais polos produtivos do Estado.
A conurbação entre Campinas, Itu, Salto e Sorocaba reforça esse papel de integração regional. A presença de rodovias como Santos Dumont (SP-75), Castello Branco (SP-280) e Marechal Rondon (SP-300) viabiliza fluxos constantes de pessoas e mercadorias, favorecendo tanto o desenvolvimento industrial quanto o imobiliário. Estudos publicados pela SciELO Chile mostram que essa conectividade impulsiona a economia local, reduz desigualdades e estimula a fixação de novos habitantes.
Além disso, a AB Colinas, concessionária responsável por parte dessas rodovias, prevê investir mais de R$ 2 bilhões em melhorias e ampliações, o que aumentará a segurança e a fluidez no trânsito. A perspectiva de implantação do Trem Intercidades Eixo Oeste, que promete ligar Sorocaba à capital em cerca de uma hora, deve consolidar de vez o interior como extensão natural da Região Metropolitana de São Paulo.
Esse conjunto de fatores tem impacto direto no mercado imobiliário. Segundo a Phideias, 18% dos imóveis vendidos no interior paulista em 2024 superaram o valor de R$ 600 mil, o dobro da média nacional. Isso revela não apenas o crescimento da demanda, mas também a consolidação de um público que busca empreendimentos de maior valor agregado. Em Itu, condomínios fechados e loteamentos planejados com infraestrutura completa têm atraído famílias que valorizam segurança, lazer e áreas verdes, mas que não abrem mão da conveniência de estar a poucas horas da capital.
A comparação com São Paulo ajuda a dimensionar essa mudança. A capital registrou 113,3 mil unidades residenciais vendidas entre julho de 2024 e junho de 2025, segundo o Blog Kenlo. Embora o volume seja expressivo, ele também evidencia o esgotamento de um modelo urbano que combina alto custo, excesso de tráfego e perda de qualidade de vida. O interior, por sua vez, surge como alternativa racional: oferece imóveis mais amplos, custo-benefício superior e um cotidiano menos desgastante.
O que está em curso é uma redistribuição do crescimento, e não uma simples fuga das metrópoles. Cidades médias com boa infraestrutura, como Itu, ganham protagonismo ao oferecer qualidade de vida sem perder competitividade econômica. Sua localização privilegiada, aliada a investimentos em transporte e planejamento urbano, cria um ciclo virtuoso que atrai tanto moradores quanto empresas e investidores.
Mais do que um destino imobiliário, Itu representa uma nova lógica de desenvolvimento. O interior paulista deixa de ser coadjuvante e assume o papel de eixo estratégico de moradia, negócios e inovação. Esse movimento indica que o futuro do Estado está cada vez menos concentrado na capital e cada vez mais distribuído em cidades que souberam transformar o equilíbrio entre urbanidade e natureza em ativo econômico e social.
*Formado em Publicidade e Propaganda pela Universidade Paulista, Daniel Pazinatto é empresário e especialista em Gestão de Empreendimentos Privados de Desenvolvimento Urbano. Com 25 anos de experiência, foi presidente da Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano (Aelo) RMC e diretor do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação ou Administração de Imóveis (SECOVI) de Campinas/SP. Atualmente, o profissional é sócio-diretor da Antônio Andrade Empreendimentos Imobiliários, fundada em 1978 pelo seu tio e referência no mercado de loteamento de alto padrão no estado de São Paulo



