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‘Na Minha Terra, Carnaval é Religião’:

Cineasta brasiliense Rodrigo Resende Coutinho lançará seu primeiro longa no Cine Brasília, dia 6 de fevereiro

O documentário aborda o crescimento, a celebração e a regulamentação do carnaval brasileiro em Lisboa. Em clima de folia, o Batuque da Orquestra Alada Trovão da Mata, grupo do Seu Estrelo, se apresentará, às 19h30, antes do início da sessão (20h)



Fotos em alta resolução: https://drive.google.com/drive/folders/16jEAzw1LTOf5VEABrXGYneOJeq4vQHlw?usp=sharing 

Trailer do filme: https://www.youtube.com/watch?v=ucwbTwyUUuc 

Às vésperas do carnaval, Brasília entra no ritmo dos tambores com a sessão especial de estreia de “Na Minha Terra, Carnaval é Religião”, longa documental do cineasta brasiliense Rodrigo Resende Coutinho. A exibição acontecerá no Cine Brasília, dia 6 de fevereiro, sexta-feira, em uma noite que começa às 19h30 com a apresentação do Batuque da Orquestra Alada Trovão da Mata, do Seu Estrelo – um dos nomes mais emblemáticos da cultura popular e do carnaval do DF – e segue às 20h com a projeção do filme. Ingressos a R$10 (inteira) e R$5 (meia).

Produzido de forma independente, o documentário é uma experiência imersiva que acompanha, entre janeiro e março, a rotina de artistas e blocos brasileiros atuantes em Lisboa, como Baque do Tejo, Baque Mulher, Palhinha Maluca, Lisbloco e Pandeiro LX, revelando como a música, o corpo e a ocupação do espaço público se transformam em gesto político e simbólico. 

Filmado em 2024 e 2025, o longa atravessa ensaios, bastidores, reuniões e cortejos em um momento decisivo: 2025 foi o primeiro ano em que a cidade passou a reconhecer oficialmente os desfiles de carnaval de rua como manifestação cultural, uma virada descrita em detalhes no filme.

O doc também será exibido pela quarta vez em Lisboa, dia 12 de fevereiro, no BOTA (Base Organizada Toca das Artes), entrando, inclusive, no calendário oficial do carnaval da cidade. E no dia 6 de fevereiro, na Universidade do Porto.

Estou muito animado para exibi-lo no Cine Brasília. Além de ser um cinema pelo qual tenho imenso carinho, por ser frequentador há muito tempo, eu ainda não vi o filme em uma telona, então será duplamente especial. Além disso, exibir meu primeiro longa documental na Sala Vladimir Carvalho será uma enorme honra, ele é o mestre que melhor filmou a alma e as contradições desta cidade, e ser acolhido em uma sala que leva o seu nome é como receber uma bênção do cinema documental”, afirma Rodrigo.

Na Minha Terra, Carnaval é Religião” traz depoimentos de vários batuqueiros e regentes de blocos de Lisboa que, após receber um grande número de brasileiros nos últimos anos – atualmente, são cerca de 500 mil apenas na cidade, segundo dados do Itamaraty -, já formou mais de 20 grupos de carnaval. Por meio dessas falas, o filme acompanha o sentimento de saudade das festas e do país de origem, o senso de comunidade que o carnaval cria entre os foliões, além da luta pela ocupação legítima e reconhecida das ruas com a cultura popular.

O que me deu o estalo para o filme foi perceber que, para aquela galera, o carnaval não era só uma ‘balada’ ou um evento no calendário. Era uma questão de sobrevivência emocional. Quando você está longe de casa, o bloco vira sua família, sua rede de apoio e reconexão com a nossa cultura”, afirma Rodrigo.


Baque Mulher: um dos grupos representados no filme – Foto Rodrigo Resende Coutinho

Para o cineasta, o ponto de virada foi quando ele percebeu que esses grupos não estavam só tocando, mas sim começando a se organizar politicamente para enfrentar as barreiras que surgiam. 

Ali eu senti que precisava ajudar de alguma forma e entendi que a minha ferramenta de luta era o meu olhar audiovisual e acho que, no fim, o filme acabou ajudando neste processo. Decidi colocar minha experiência e meus equipamentos a serviço desse movimento para amplificar essas vozes”, completa Rodrigo, que faz uma ressalva: “Vejo o reconhecimento pelo poder público como uma vitória gigante, mas que ainda está sendo ‘mastigada’. O que mudou de cara foi o respeito. Antes, o carnaval de rua em Lisboa era tratado quase como um problema de polícia ou um ‘barulho de imigrante’. Com a oficialização em 2025, a cidade teve que admitir que os blocos são cultura de verdade”.

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Clique do carnaval em Lisboa – Foto de Rodrigo Resende Coutinho

Fazendo um paralelo com a sua cidade-natal, Rodrigo aproxima Lisboa de Brasília a partir da disputa pela rua.

Brasília é uma cidade onde o urbanismo foi desenhado para organizar fluxos, mas a vida e a cultura sempre transbordaram pelas frestas desse planejamento rígido. Vejo uma ponte direta entre a disputa pelo espaço urbano em Lisboa e a nossa vivência brasiliense: ambas as cidades enfrentam tentativas de controle e ‘higienização’ do espaço público. O Carnaval, nas duas capitais, surge como o momento em que a soberania popular retoma a rua, transformando o asfalto em um território de afeto, política e memória”, acrescenta.

Circulação em festivais amplia o alcance do filme

Além da sessão em Brasília e das exibições em Portugal marcadas para fevereiro, o filme vem sendo exibido em salas e festivais mundo afora. Em janeiro, integrará a programação do Film Invasion Lima, no Peru, com exibição marcada para o dia 17. O longa também será exibido em São Paulo, no All That Moves International Film Festival, no dia 11 de abril. No ano passado, o filme também teve passagem por mostras e festivais como Brazil New Visions Film Fest e o Pupila Film Festival.

SINOPSE: Em Lisboa, o carnaval de rua floresce como manifestação de identidade e resistência cultural. Grupos como Baque do Tejo, Baque Mulher, Palhinha Maluca, Lisbloco e Pandeiro LX mantêm viva a tradição brasileira em território estrangeiro, enfrentando desafios como a ausência de regulamentação da arte de rua e o peso de exigências burocráticas. Entre ensaios, reuniões políticas e a vibração dos desfiles, o documentário acompanha músicos e artistas imigrantes que transformam tambores, pífanos e pandeiros em instrumentos de luta, criando novas formas de pertencimento, memória e comunidade.

FICHA TÉCNICA:

Direção, produção e roteiro: Rodrigo Resende Coutinho

Assistência de produção: Ana Paula Andrade e Larissa Malty

Direção de fotografia, cinegrafistas e som direto: Rodrigo Resende Coutinho

Câmeras adicionais: Larissa Malty e Roni Sousa

Elenco: Alice Caetano, Cynthia Bravo, Diogo Presuntinho, Ely Janoville, Fabrício Soares, Heloise Medeiros, José Neto, Júlio Brechó e Juninho Ibituruna

Grupos: Baque do Tejo, Baque Mulher, Lisbloco, Palhinha Maluca, Pandeiro LX e Roda de Santo

Montagem e pós-produção: Rodrigo Resende Coutinho

Supervisão de áudio: Guilherme Resende

Foto still: Nina Bufferli Barbosa