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Projeto “Eu Sou Músico” revela novos talentos em show gratuito em São Sebastião

Após oito meses de imersão, dez jovens artistas negros apresentam suas primeiras composições autorais, acompanhados por banda com renomados musicos do DF

Crédito: Divulgação | Fotos e release para download: https://drive.google.com/drive/folders/14vQF9Dja6knzJX5tMyKaqfSPFzHLH1uM?usp=drive_link 

O que acontece quando o talento encontra a estrutura e a coragem encontra o palco? No próximo sábado (09/05), a partir das 18h, a Quadra Poliesportiva da 104, em São Sebastião, recebe o evento de encerramento do projeto “Eu Sou Músico”. Mais do que uma apresentação final, o show é o início da carreira artística de dez vozes negras e potentes, que decidiram transformar suas vivências em música.

Julia Almeida, Teles, Ogflow, Caio Santos, Guilherme Singe, Walysson Soares, Alevic, Kevilly Mota, Lucas Rodrigues e Noemí Marques são os nomes que dão corpo ao projeto. Alguns guardavam canções em cadernos reservados; outros nunca haviam experimentado o frio na barriga de um microfone ligado. 

Ao longo das oficinas do “Eu Sou Músico”, eles percorreram um caminho que foi da teoria musical à composição autoral, lapidando o que a periferia tem de mais precioso: a identidade. As aulas foram ministradas pela professora e cantora Carol Voigt e pelo produtor musical Daniel Pitanga.

“Eles cresceram individualmente e coletivamente. Afirmaram suas identidades e se desenvolveram enquanto artistas. O resultado é incrível porque são jovens que se entregam de uma forma muito bonita”, destaca Voigt. Já para Pitanga, o diferencial foi o foco na criatividade, estimulando a criação autoral. “Eles tiveram a oportunidade de se lançar como compositores, o que agrega um valor imenso ao projeto.

A programação conta ainda com a participação de artistas locais, como Paulo Dagomé, Letícia Érica Ribeiro e Don Ramalho, que apresentarão a poesia produzida em São Sebastião, César Vanute com intervenções circenses, além de Vinicius Alves e Carol Voigt, que trarão mais música. Ao longo do evento, o público também poderá conferir a Feira do Movimento, que reúne artesanato, literatura e gastronomia e muito mais.

Som que vem da comunidade
O repertório da noite é totalmente autoral. Para garantir a qualidade sonora que esses novos talentos merecem, uma banda de peso foi escalada para acompanhá-los. O time é formado por instrumentistas com passagens pela Escola de Música de Brasília (EMB) e pela UnB: Ana Vera (teclado), Gui Congo (percussão), Vinícius Alves (violão e guitarra), Maré (contrabaixo) e Sofia Ribas (bateria).

A iniciativa, que conta com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal, e apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF, foi idealizada por Sherwin Morris, diretor executivo do Instituto Cultural Congo Nya. Um dos diferenciais “Eu Sou Músico” foi a ajuda de custo oferecida aos participantes, reconhecendo que a arte periférica precisa de fomento real para florescer. Além disso, o projeto contou com vagas reservadas para pessoas com deficiência e foco total na juventude negra.

“A música transforma, inspira e liberta. Mais do que um curso, este é um convite para que esses jovens descubram sua voz não só na arte, mas na vida”, destaca Sherwin Morris.