Saudade
do Grupo Os Geraldos, que emociona público e convida para oficinas gratuitas
A temporada do espetáculo Saudade no Centro Cultural Banco do Brasil Brasília chega à sua reta final, e ainda dá tempo de mergulhar nessa experiência cênica que vem tocando plateias desde a estreia. Com apresentações até o dia 8 de março, a montagem do Grupo Os Geraldos transforma o teatro em um espaço de memória e afeto, onde a saudade ganha corpo, voz e canto. O público, que já assistiu, sai emocionado e leva consigo ecos das canções e das imagens de um vilarejo inventado, mas tão familiar que parece morar dentro de cada um.
Inspirado no conto Pinguinho, de Viriato Correia, e nos escritos de Rubem Alves, o espetáculo reúne 13 intérpretes em cena, que cantam ao vivo músicas do imaginário popular em português, espanhol, francês, italiano e latim. A música não é apenas trilha, mas sim a estrutura que conduz a narrativa, criando uma comunhão entre palco e plateia. Ouça: https://music.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_k6QlOn-WAAAlbeihKF41S16g0tcjB7r1A.
A crítica tem destacado a força do coro, que dissolve protagonismos e afirma o trabalho coletivo como escolha estética e ética, a cenografia minimalista, que funciona como gatilho da memória afetiva, e a direção musical de Everton Gennari, que faz o público se perguntar “qual é o som do céu estrelado?”. O espetáculo fala menos ao intelecto e mais à pele, à memória e ao afeto, como descreveu o crítico Rômulo Sobrinho, e o público tem respondido com emoção genuína, lotando as sessões e transformando cada apresentação em um encontro único. “Em cena, o elenco de Saudade é bando, que voa perfeito. Queria saber o nome de cada um para abraçá-los e agradecê-los. Mas eles são todos. Voam como todos.”, apontou Sergio Maggio em sua crítica (Crítica // Saudade: o teatro de encantarias de Os Geraldos | Cricri)
Sobre a dramaturgia e direção, Maggio publicou: “A dramaturgia delicada de Julia Cavalcante e Paula Guerreiro parte da obra de Viriato Corrêa, um homem absolutamente de teatro. Mistura-se com a delicadeza de Rubem Alves e as construções cênicas e sonoras da sala de ensaio comandada por Douglas Novais e Everton Gennari. O que se levanta no palco, aviso de antemão sem medo de dar spoiller, é uma pequena obra-prima do teatro popular brasileiro.”
Na semana de 4 a 8 de março, o CCBB Brasília convida para as últimas oportunidades de conferir essa montagem, que se despede da capital federal. As sessões acontecem na quarta e sexta às 20h, na quinta às 20h com acessibilidade em Libras e audiodescrição, no sábado às 17h e 20h, e no domingo às 18h. Os ingressos continuam à venda a preços populares, e a van do programa Vem pro CCBB facilita o acesso gratuito ao centro cultural, partindo da Biblioteca Nacional em diversos horários.
Além das apresentações, o público terá uma oportunidade de vivenciar o processo criativo do grupo por meio de oficinas gratuitas, que acontecem no Departamento de Artes Cênicas da UnB, Sala CEN-BSS-51, dias 4, 5 e 6 de março, sempre das 10h às 13h. As atividades são voltadas para jovens e adultos a partir de 16 anos e exploram a voz como motor da criação cênica, a presença do coro, o ritmo, a respiração e a construção de cenas coletivas.
No dia 4, a oficina Voz em Ação e Corpo-Coro se complementam para investigar a transformação da palavra em ação vocal e a força do coletivo na cena. No dia 5, Corpo-Coro aprofunda a escuta e a percepção do grupo. E no dia 6, “Orquestração do Exercício Cênico” sintetiza os aprendizados em um exercício prático, seguido de um bate-papo sobre os desafios e descobertas do fazer teatral. As inscrições estão abertas pelo formulário: https://forms.gle/wvxQmJGfTnHs3tAk7, e as vagas são limitadas.
Não perca a chance de conferir Saudade e ainda aprender com os artistas que vêm conquistando o Brasil e o mundo com um teatro popular, sensível e profundamente humano. A última semana promete ser ainda mais especial, celebrando o encontro entre o público e a arte em um espaço de partilha e emoção. Venha fazer parte dessa despedida e levar consigo um pedaço desse vilarejo onde a memória vira morada.



